Quando uma aspirina traz dor de cabeça

Campanha premiada, mas rejeitada.
Campanha premiada, mas rejeitada.

2016 foi um bom ano para o Brasil em Cannes. Encerrada no último sábado (25), a edição premiou o país com um total de 90 leões, inferior à edição passada (108 leões), mas ainda sim com destaque.

Em meio à campanhas incríveis como “Possibilidades Infinitas” da Almap BBDO para a Getty Images, “Músicas da violência” da FCB Brasil para o Estadão e “Braille Bricks” da Lew’Lara/TBWA para Fundação Dorina Nowill para Cegos, houve espaço para uma grande polêmica.

Detentora do título de Agência do Ano, com 21 leões, a Almap BBDO entrou em uma saia justa: a propaganda da Aspirina, ganhadora de leões de bronze nas categorias Outdoor e Print, recebeu uma enxurrada de críticas por supostamente tratar a filmagem não consensual e a divulgação de vídeos íntimos como uma “simples” dor de cabeça.

A própria Bayer repudiou o anúncio e afirmou que a agência quem pagou pela veiculação limitada da peça: “O conceito foi apresentado para a nossa equipe de marketing local no Brasil pela BBDO como uma das várias campanhas que a agência pretendia apresentar para o festival Cannes Lions deste ano. A fim de satisfazer os requisitos para a submissão a Cannes, a BBDO pagou para a veiculação limitada da peça no Brasil. A Bayer não anuncia Aspirina no Brasil há vários anos”

O fato desperta ainda mais atenção pelo momento em que aconteceu: há um mês atrás uma menina de 16 anos foi filmada e exposta à exaustão na internet em um caso que chocou o país. Uma aspirina resolveria o problema?

O mundo publicitário deve ficar atento na conexão da publicidade com o mundo real. Enquanto há empresas que lutam fortemente a favor de um mundo livre, com igualdade entre gêneros e livre da homofobia, ainda temos mensagens que reforçam esteriótipos nocivos.

Mais do que nunca, as empresas devem se preocupar com as pessoas. Interpretações que podem causar desconforto não são bem vindas. Ainda mais agora com o advento da internet, onde o consumidor mostra a sua força e tem voz para calar quem pisa no seu calo.

Vale ressaltar: O presidente do júri disse que os jurados não consideraram a peça machista e se desculpou. A Almap BBDO assumiu a responsabilidade, publicou uma nota se desculpando e abriu mão dos prêmios.